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28 de agosto de 2012
7 de janeiro de 2011
O meu impossível
Minh'alma ardente é uma fogueira acesa,
É um brasido enorme a crepitar!
Ânsia de procurar sem encontrar
A chama onde queimar uma incerteza!
Tudo é vago e incompleto! E o que mais pesa
É nada ser perfeito. É deslumbrar
A noite tormentosa até cegar,
E tudo ser em vão! Deus, que tristeza!...
Aos meus irmãos na dor já disse tudo
E não me compreenderam!... Vão e mudo
Foi tudo o que entendi e o que pressinto...
Mas se eu pudesse a mágoa que em mim chora
Contar, não a chorava como agora,
Irmãos, não a sentia como a sinto!...
Florbela Espanca
9 de fevereiro de 2008
O Amor
O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar. Sabe bem olhar pra ela,
Mas não lhe sabe falar.
Mas não lhe sabe falar.
Não sabe o que há de *dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pra saber que a estão a amar!
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...
Quem quer dizer o que sente
Ah, mas se ela adivinhasse,
Mas quem sente muito, cala;
Mas se isto puder contar-lhe
Fernando Pessoa
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